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Ataque ao Pix é ‘guerra ao futuro’ que tende a fortalecer Lula, diz ganhador do Nobel

O economista norte-americano Paul Krugman, Nobel de Economia em 2008, publicou um artigo na segunda-feira (20) no qual prevê que as tarifas impostas pelo governo Donald Trump ao...

O economista norte-americano Paul Krugman, Nobel de Economia em 2008, publicou um artigo na segunda-feira (20) no qual prevê que as tarifas impostas pelo governo Donald Trump ao Brasil não vão funcionar e tendem a fortalecer o governo Lula. Há um ano, Krugman publicou um texto no qual classificou o Pix como “dinheiro do futuro”.
O premiado eespecialista concorda com o argumento da também economista brasileira Monica de Bolle, segundo o qual o tarifaço de Trump fortalece a posição do governo brasileiro. Em entrevista à BBC News Brasil na semana passada, De Bolle avaliou que o impacto das novas tarifas deve ser restrito.
“Mas a evidente insensatez dessas novas tarifas não impedirá que elas aconteçam.
O governo Trump declarou guerra ao futuro”, aponta Krugman. No artigo dessa semana ele sustenta que as tarifas vão fortalecer politicamente o presidente Lula. “Usar as tarifas para punir o Brasil por suas conquistas monetárias não terá sucesso”, afirma o economista, em artigo publicado no site Substack.
As tarifas estão previstas para entrarem em vigor nesta quarta-feira (22).
“Economicamente, o alcance das tarifas será limitado”, afirma, citando os temores do governo Trump em relação aos preços do café, suco de laranja, carne bovina, entre os produtos, alguns dos principais itens exportados pelo Brasil aos EUA.
Foco é o Pix, diz economista
Além de Nobel de Economia, Krugman é professor da Universidade da Cidade de Nova York.
O especialista avalia que o governo Trump tenta punir o Brasil pelo sucesso do Pix. “Por que é injusto um país oferecer a seus cidadãos uma maneira melhor de fazer compras e pagar contas?”, questiona ele na publicação, repercutida por vários meios de comunicação.
“De certa forma, a administração Trump ainda tenta punir o Brasil por ser uma verdadeira democracia”, diz Krugmann em seu texto. “Ao contrário dos EUA, o Brasil processou seu ex-presidente, Jair Bolsonaro, por tentar fomentar uma revolta após perder a última eleição”, continua o economista, conforme registrou a BBC Brasil.
Defesa da “oligarquia trumpista”
O economista cita ainda que a hostilidade de Trump em relação ao Pix ilustra a mesma posição do presidente dos EUA em relação à política energética. “Este governo se opõe ao progresso, sempre que o progresso contraria os interesses e a ideologia dos oligarcas que investiram dinheiro na campanha de Trump e no seu bolso”,  avalia.
Conforme a BBC, o economista cita ainda um relatório do Fed (Banco Central dos EUA) de 2022, que afirma que o Pix é uma moeda digital do Banco Central do Brasil, “análoga ao dinheiro de papel”, ou seja, legítima ao país. Concorrência como direito
“Desde quando é uma prática comercial desleal uma empresa perder clientes para um concorrente que oferece um produto melhor e mais barato?”, questionou.
Depois, continuou, comparando: “Deveríamos fechar o serviço postal dos EUA porque ele oferece um serviço de entregas melhor e mais barato do que a UPS e a FedEx?”, pergunta ele. Para Krugman, o governo Trump estaria preocupado com o fato de o Pix e outros sistemas de pagamentos similares desafiarem a hegemonia internacional do dólar.
Mas o economista diz que esse risco não se aplica porque  Brasil é um ator “pequeno demais para provocar impacto no sistema global de pagamentos”.
Para ele, um desafio real virá caso o Banco Central Europeu adotar um euro digital em 2029, como planejado. “Se isso acontecer, não é difícil imaginar que um número significativo de transações antes feitas em dólar passarão a ser feitas em euros digitais”, considera no artigo. O post Ataque ao Pix é ‘guerra ao futuro’ que tende a fortalecer Lula, diz ganhador do Nobel foi publicado primeiro em Diário de Goiás.
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