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Cinco estrelas no peito e a eliminação expõem distância entre a história e o Brasil atual

A Copa do Mundo 2026 chegou ao fim. E o Brasil acompanha a decisão pela televisão mais uma vez. São 24 anos esperando para levantar a taça pela...

A Copa do Mundo 2026 chegou ao fim. E o Brasil acompanha a decisão pela televisão mais uma vez. São 24 anos esperando para levantar a taça pela sexta vez. A ausência da seleção nas fases finais do torneio já não pode ser tratada como um acidente de percurso. Ela simboliza a perda de protagonismo de quem, durante décadas, foi a maior referência do futebol mundial.
A final também carrega um peso histórico para o futebol brasileiro. Enquanto os argentinos disputaram sua segunda final consecutiva e consolidam um projeto esportivo vencedor, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tenta explicar por que a maior camisa do futebol mundial já não consegue transformar tradição em desempenho. Quando o árbitro apitou o fim de Brasil e Noruega, a sensação não era apenas de eliminação.
Era da vergonha em acreditar que o peso da camisa superava o desempenho em campo. O Brasil não caiu para uma potência histórica, tampouco foi superado por uma seleção que dominou o futebol mundial nos últimos anos. Foi eliminado nas oitavas de final por uma Noruega organizada, disciplinada e que soube exatamente como explorar todas as fragilidades de uma seleção que passou a Copa inteira sem convencer.
A derrota por 2 a 1 apenas oficializou aquilo que já era evidente desde a fase de grupos: o Brasil entrou no Mundial sem identidade, sem criatividade e sem a capacidade de impor seu jogo. O mais frustrante é que os sinais estavam todos ali para verem. Contra o Marrocos, uma atuação burocrática. Contra o Haiti, um futebol que pouco empolgou. Diante da Escócia, mais uma vitória protocolar.
Apenas contra o Japão surgiu a impressão de que a equipe poderia engrenar. Mas bastou encontrar um adversário de maior organização para que todas as limitações aparecessem novamente. A Noruega não fez uma partida histórica. Apenas jogou melhor futebol. É impossível não falar sobre Carlo Ancelotti. A chegada do italiano foi tratada como uma revolução.
A CBF vendeu a ideia de que bastava contratar um dos técnicos mais vencedores da história para recolocar o Brasil no topo do mundo. Ancelotti chegou à Copa como o treinador mais bem pago entre todas as seleções do Mundial, recebendo cerca de 9,5 milhões de euros por ano. Um valor que supera, sozinho, a soma dos salários dos técnicos das duas seleções que disputaram a final, Argentina e Espanha.
Mas dinheiro, evidentemente, não compra título. Cria expectativa, e a expectativa era gigantesca. O torcedor brasileiro aceitou esperar. Aceitou um estrangeiro pela primeira vez em uma Copa do Mundo. Aceitou um ciclo curto porque acreditava que um técnico multicampeão faria diferença justamente nos momentos decisivos.
Só que não foi isso o que aconteceu
As mudanças contra a Noruega desorganizaram completamente a equipe. O Brasil controlava parte da partida até as substituições, perdeu o meio-campo, deixou espaços e foi castigado. As críticas às decisões do treinador não vieram apenas da torcida, mas também de analistas e ex-jogadores. Mas seria injusto colocar toda a culpa apenas em Ancelotti.
A eliminação é consequência de anos de improviso dentro da própria CBF. Desde a saída de Tite, a seleção passou por técnicos interinos, negociações intermináveis, mudanças de comando e uma sucessão de decisões tomadas muito mais pelo marketing do que pelo planejamento esportivo. Enquanto outras seleções construíam projetos, o Brasil parecia esperar que o talento individual resolvesse tudo.
Talvez o aspecto mais preocupante seja justamente esse: pela primeira vez em muito tempo, o torcedor brasileiro deixou de acreditar antes mesmo da eliminação. A atuação contra a Noruega não foi um acidente. Foi o desfecho lógico de uma campanha que nunca empolgou. O Brasil jogava sem brilho, criava pouco, dependia de lampejos individuais e parecia incapaz de controlar partidas contra adversários bem organizados.
Enquanto isso, Argentina e Espanha chegaram à final mostrando exatamente aquilo que faltou ao Brasil durante toda a competição: um modelo de jogo claro. Os argentinos podem até sofrer, mas sabem o que fazem em campo. Os espanhóis mantêm um padrão coletivo que atravessa gerações. Nenhuma das duas seleções depende exclusivamente de uma estrela para funcionar.
O Brasil, ao contrário, continua preso à ideia de que sua camisa pesa mais do que seu futebol. Não pesa mais
A Copa de 2026 deixa uma marca que será difícil apagar porque não representa apenas mais uma eliminação. Representa o momento em que a Seleção Brasileira deixou de assustar seus adversários e passou a ser vista como um time comum. Ainda existe talento. Ainda existe uma geração capaz de competir em alto nível.
Mas isso exige algo que a CBF parece relutar em fazer: planejamento, continuidade e humildade para reconhecer que o mundo mudou. O futebol brasileiro continua produzindo grandes jogadores. Mas o que deixou de produzir, faz tempo, foi uma grande seleção. O post Cinco estrelas no peito e a eliminação expõem distância entre a história e o Brasil atual apareceu primeiro em Jornal Opção.
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