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Projeto criado em Aparecida de Goiânia propõe novo olhar sobre menstruação e sustentabilidade

Nascido de uma iniciativa escolar no município de Aparecida de Goiânia, o Instituto Todas expandiu suas fronteiras e se consolidou como um movimento nacional. Criada quando sua idealizadora...

Nascido de uma iniciativa escolar no município de Aparecida de Goiânia, o Instituto Todas expandiu suas fronteiras e se consolidou como um movimento nacional. Criada quando sua idealizadora tinha apenas 15 anos, a organização sem fins lucrativos agora ganha destaque ao integrar o hub de inovação da São Paulo Climate Week 2026.
O projeto em evidência é o TODAS PELO CICLO, que propõe uma releitura urgente sobre como a saúde íntima feminina, a justiça social e a preservação ambiental caminham lado a lado.
Cofundadora e presidente do Instituto Todas, Giselle Gilmore | Foto: Arquivo
Pesquisas recentes do Ministério da Saúde e levantamentos feitos em 2026 apontam que a falta de acesso a produtos menstruais faz com que uma em cada quatro meninas falte à escola, enquanto quatro em cada dez perdem dias de aula devido aos sintomas menstruais. 
No entanto, ao analisar o problema de forma ampla, o Instituto Todas identificou um impasse alarmante: os impactos ambientais e à saúde causados pelos absorventes plásticos convencionais.
A cofundadora e presidente do Instituto Todas, Giselle Gilmore, contou ao Jornal Opção que os questionamentos em torno do assunto começaram após a análise de estudo sobre a  toxicidade dos produtos que são usados em absorventes de plástico. “Começamos a nos perguntar: por que estamos lidando com o ciclo menstrual desta forma?
Além de agravar a saúde do planeta, agrava a saúde íntima feminina”, aponta. 
A iniciativa atual direciona esforços para o Parque das Tribos, a maior comunidade indígena urbana de Manaus, no Amazonas, onde convivem mais de 35 etnias. A proposta chegou ao grupo após sugestão de uma das voluntárias da cidade.
Em vez de despejar toneladas de plástico em uma região sensível do entorno da floresta, a campanha aposta em um sistema regenerativo. “Quando ela chegou pra gente com essa proposta, foi aí que a gente começou a se fazer essas perguntas.
Vamos mesmo levar absorventes de plástico pro entorno da floresta?  Então, a gente criou um sistema menstrual regenerativo, onde vamos trabalhar  a redução de resíduos através da educação e acesso a produtos reutilizáveis e biodegradáveis com 1.100 mulheres nessa comunidade”, explica Giselle.
Os pilares do sistema menstrual regenerativo
A campanha estruturada articula frentes práticas de conscientização e sustentabilidade:
• Distribuição de kits sustentáveis: Serão fornecidos 1.100 kits com absorventes reutilizáveis e biodegradáveis projetados para dois anos, fazendo com que a mulher se comprometa a não usar plástico no período.
• Resgate ancestral e diálogo: Rodas de conversa promovidas junto às comunidades visam resgatar saberes tradicionais de como as anciãs lidavam com o ciclo antes da era do plástico.
• Impacto ambiental mensurável: Com a adesão ao projeto, estima-se evitar o descarte de 5 toneladas de plástico e a injeção de 11 toneladas de carbono na atmosfera ao longo de dois anos.
Para Giselle Gilmore, o maior desafio é romper com a lógica da conveniência moldada pelo marketing industrial desde o século passado, visto que um absorvente descartável leva cerca de 800 anos para se decompor, contaminando o solo, os lençóis freáticos e gerando gases de efeito estufa. “O absorvente que sua avó usou até hoje tá no planeta.
E agora, a gente precisa fazer uma engenharia reversa e lembrar do que as nossas bisavós faziam quando elas menstruavam”, reforça. A capilaridade do instituto é sustentada por uma rede ativa de voluntárias jovens, entre 16 e 24 anos, presentes em 82 municípios brasileiros.
A participação no laboratório de cocriação coletiva do São Paulo Climate Week, que acontece de 3 a 7 de agosto, servirá justamente para validar essa discussão com atores climáticos globais. “Nós vamos convidar as pessoas a desenhar uma solução junto com a gente. Embora o projeto já esteja pronto, a gente quer trazer nuances onde as pessoas possam colaborar com a gente”, conclui Giselle sobre a expectativa no evento.
Os interessados que desejarem participar do evento na São Paulo Climate Week, podem se inscrever de forma gratuita pelo site da Sympla. Leia mais: Programa de Promoção da Dignidade Menstrual é aprovado, em segunda votação, na Câmara
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