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El Niño 2026 preocupa: fenômeno pode afetar safras, pastagens e produção de alimentos

Os principais centros de monitoramento climático do mundo e do Brasil elevaram significativamente a probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño durante o segundo semestre de 2026. Organismos...

Os principais centros de monitoramento climático do mundo e do Brasil elevaram significativamente a probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño durante o segundo semestre de 2026.
Organismos como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM/WMO) indicam que as condições atuais do Oceano Pacífico favorecem a formação do evento climático já entre agosto e outubro, com possibilidade de persistência até 2027.
As projeções apontam probabilidade superior a 80% para o retorno do fenômeno até o fim do ano, segundo prevê inclusive a Organização das Nações Unidas. Embora alguns modelos internacionais trabalhem com a hipótese de um episódio muito intenso, os órgãos oficiais brasileiros ressaltam que ainda é cedo para classificá-lo como um “super El Niño”.
A intensidade definitiva dependerá da evolução das temperaturas do Pacífico nos próximos meses. A preocupação chegou até o Supremo Tribunal Federal (STF). No fim de maio, o ministro Flávio Dino intimou a União e os estados que fazem parte da Amazônia Legal e do Pantanal a informarem as providências adotadas frente as projeções de aumento significativo do risco de incêndios florestais.
No despacho do ministro, Dino cita a elevada probabilidade de temperaturas superiores à média e persistência de falta de chuva nas regiões amazônica e pantaneira em 2026. A previsão, ainda segundo o documento, é que o fenômeno climático do El Niño atinja seu pico entre setembro e outubro, período que corresponde à fase mais crítica para a propagação de incêndios florestais.
O que é o El Niño e por que ele preocupa
O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes – por exemplo 2ºC acima da média – por um período prolongado. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica global e modifica os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.
Na prática, o fenômeno redistribui a umidade da atmosfera e influencia diretamente a ocorrência de secas, enchentes, ondas de calor e tempestades. Em anos de El Niño forte, os efeitos costumam ser sentidos na agricultura, na geração de energia, no abastecimento de água e na produção de alimentos. Como o Brasil costuma ser afetado
Historicamente, o El Niño produz efeitos opostos entre as regiões brasileiras.
No Sul, aumenta a frequência de chuvas acima da média, elevando o risco de enchentes, alagamentos e perdas agrícolas por excesso de água. Já no Norte e em partes do Nordeste, normalmente ocorre redução das chuvas, agravamento da estiagem, aumento das queimadas e dos incêndios florestais. Em Goiás e demais estados da região Centro-Oeste, os impactos costumam ocorrer de forma intermediária.
O padrão mais comum envolve aumento das temperaturas, ondas de calor mais frequentes, baixa umidade relativa do ar e irregularidade na distribuição das chuvas, especialmente durante períodos de transição entre estações.
Goiás pode enfrentar desafios para soja, milho e pecuária
Embora os impactos exatos ainda dependam da intensidade do fenômeno, especialistas alertam que Goiás está entre os estados que devem monitorar atentamente a evolução climática ao longo do segundo semestre.
Caso a temperatura do oceano atinja 2°C acima da média, o fenômeno pode provocar atraso no início do período chuvoso em Goiás, além de ondas de calor mais intensas entre agosto e novembro. O estado é um dos maiores produtores nacionais de soja, milho, sorgo, carne bovina e leite. Qualquer alteração relevante no regime de chuvas pode influenciar diretamente o calendário agrícola.
Caso o El Niño provoque atrasos ou irregularidade no início das chuvas da primavera, o plantio da soja poderá sofrer adiamentos em algumas regiões. Como consequência, o calendário da segunda safra de milho também pode ser afetado, reduzindo a janela ideal de cultivo.
Além disso, temperaturas mais elevadas podem aumentar a evapotranspiração – transferência de água do solo e das plantas para a atmosfera em forma de vapor – das lavouras, ampliando a demanda hídrica das plantas e elevando os custos de produção. Em situações extremas, períodos prolongados de estiagem podem comprometer produtividade e qualidade dos grãos.
Pecuária pode sentir efeitos antes mesmo das lavouras
Na pecuária, os impactos podem surgir rapidamente. Temperaturas elevadas e períodos secos tendem a reduzir o crescimento das pastagens, diminuindo a disponibilidade de alimento para o rebanho.
Em propriedades que dependem exclusivamente de pasto, isso pode resultar em perda de peso dos animais, redução da produção de leite e aumento dos custos com suplementação alimentar. O estresse térmico também afeta diretamente o desempenho dos bovinos. Animais submetidos a calor excessivo costumam reduzir o consumo de alimentos e apresentar pior conversão alimentar afetando carne e leite.
Para os pecuaristas, a recomendação técnica é reforçar o planejamento forrageiro, ampliar a produção de silagem e feno, revisar reservas estratégicas de alimento e investir em sistemas de sombra e disponibilidade de água para os rebanhos. Risco para preços dos alimentos
Eventos climáticos intensos costumam gerar reflexos econômicos em toda a cadeia produtiva.
Caso ocorram perdas significativas de produtividade em importantes regiões produtoras do Brasil e do exterior, o mercado pode registrar aumento dos preços de grãos, carnes, leite e derivados.
Experiências anteriores mostram que episódios fortes de El Niño costumam influenciar mercados agrícolas globais devido à redução da produção em algumas regiões e ao aumento dos custos logísticos e produtivos.
a ONU e outras organizações internacionais alertam que um evento intenso em 2026 poderá representar risco adicional à segurança alimentar global em um cenário já marcado por mudanças climáticas e eventos extremos mais frequentes.
Como o agro pode se preparar
A antecipação de algumas medidas pode ser decisiva para minimizar prejuízos caso o fenômeno se confirme com intensidade moderada ou forte.
Entre as principais medidas recomendadas por especialistas estão:
• Monitoramento constante dos boletins climáticos;
• Planejamento antecipado do calendário de plantio;
• Escolha de cultivares mais tolerantes ao estresse hídrico;
• Ampliação da armazenagem de água nas propriedades;
• Produção antecipada de silagem e reservas forrageiras;
• Manejo estratégico das pastagens;
• Contratação de seguro rural;
• Diversificação produtiva para reduzir riscos climáticos.
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